Como os profissionais lidam com a morte no hospital

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Como os profissionais lidam com a morte no hospital

Mensagem por Admin em Qua Mar 12, 2014 7:19 pm

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Segundo KÓVACS (1992), a distinção entre pessoas em geral e profissionais da saúde (médicos, enfermeiras e psicólogos) diante da morte, é que a morte faz parte do contexto de vida dessas pessoas, sendo assim, a morte se torna companheira de trabalho também.
LUCA (1997), descreve que há poucos anos atrás a idéia de que o espaço do hospital e da doença cabia apenas ao domínio e poder delegado aos médicos, os outros profissionais (psicólogos e profissionais da enfermagem) eram apenas seus auxiliares, frente ao tratamento dos médicos e, não eram vistos tambám como profissionais da saúde com campo de trabalho próprio.
A autora esclarece que hoje em dia, algumas instituições trabalham com equipes inter e multidisciplinares, onde as opiniões de vários profissionais são requisitados. Sendo assim, a condição do paciente é vista sob vários ângulos e áreas de atuação.
MELLO FILHO (1993) ressalta que o enfermo fora do seu meio social e cultural, torna-se freqüentemente melancólico, deprimido e desconfiado, hostiliza a abordagem médica, principalmente, se esta vem de instrumental agressivo.
De acordo com VIANNA (1998), mesmo os profissionais – médicos principalmente – tendo contato diário e direto com a morte, respondem a esta questão como desafiadora e, geralmente, com ansiedade, medo e ameaça quanto a sua própria vida.
D´ASSUMPÇÃO (1994), observou os mais variados comportamentos dos profissionais da Medicina frente à problemática da morte. Quase sempre se observa um comportamento aparentemente seguro, pois existem várias possibilidades de ocultamento, tanto culturais quanto psicológicas. Entre o ocultamento psicológico, cita-se os mecanismos de defesa: negação, repressão, intelectualização, deslocação. Isto ocorre para que se possa proteger à morte, assim como, restringir-se à mesma.
LUCA (1997 apud KÓVACS, 1985) constatou, que quando o indivíduo se encontra diante de um situação de morte próxima, ocorrem algumas reações, por exemplo: no início, a pessoa começa a lutar contra o perigo e o inevitável; depois, deixa de lutar e se entrega, relembrando cenas do passado, fazendo um filme de sua vida às suas vistas; e, em seguida, a pessoa entra num estado místico, do qual muitas vezes não deseja voltar.
KÓVACS (1994) menciona que a morte faz parte do desenvolvimento humano, desde a mais tenra idade. Como por exemplo, nos primeiros meses de vida, a criança vive a ausência da mãe, sentindo que esta não é presente. Estas primeiras ausências são vivenciadas como morte, a criança se percebe só e desamparada. Efetivamente não é capaz de sobreviver sem a mãe.
ALVAREZ e cols. (1997), afirma que o médico tornou-se o senhor da vida e da morte, o herói poderoso que se coloca diante da morte. Sua onipotência e heroísmo, são tão predominantes que os médicos tomam decisões sem consultar os pacientes e seus familiares, como que se pudesse passar por cima do livre arbítrio de cada indivíduo.
Desde todos os tempos em busca da imortalidade, o homem desafia e tenta vencer a morte. Nos mitos e lendas essa atitude é simbolizada pela morte do dragão ou monstro. Os heróis conseguem destruí-los, já os mortais não. O que buscam os mortais não é a vida eterna e, sim, a juventude eterna com seus prazeres, força e beleza e, não, a velhice eterna com suas perdas, feiúras e dores (ALVAREZ e cols., 1997).
Sendo assim, KÓVACS (1994) diz que a morte se relaciona à fase de culpa que se constitui na infância. O pensamento mágico e onipotente infantil e com os elementos de sociabilização que levam aos desejos de morte, de tal forma que, se ocorre uma morte, é inevitável que a criança estabeleça uma relação entre esses desejos e a morte efetiva.
Já na adolescência, esse episódio continua e, sua palavra chave é desafiar, pois o adolescente é herói como a criança havia sido, só que um herói mais potente, com um corpo mais forte e uma mente mais aguçada, com todas as possibilidades de criação e execução, sem os freios restritos da razão e da maturidade.
A adolescência é o período de transição entre a infância e a idade adulta, apresentando novas características/ formas biológica e psicossocial. Como característica biológica, o homem torna-se reprodutor, bem como, há uma reorganização de sua personalidade. Por outro lado, há a característica psicossocial, o qual a sociedade lhe exigirá a observância de papéis, ou seja, o de pensar e agir de determinada maneira. Sendo assim, faz parte desta fase sua escolha para o curso da faculdade, pois a exigência do seu modo de agir, faz com que este seja, ou pelo menos, sinta-se obrigado a tomar algumas decisões, mesmo que se sinta preparado (MELLO FILHO, 1993).
ABERASTURY E KNOBEL (1971, apud MELLO FILHO, 1993) relatam características da adolescência, como chamaram de síndrome normal da adolescência, pois nesta fase o indivíduo sai em busca de si próprio; tendem a formar grupos, onde poderá dividir as responsabilidades de suas ações; necessita intelectualizar e fantasiar, isso ocorre como princípios éticos, filosóficos e sociais; além da crise da adolescência, há também a crise religiosa, onde este oscila entre o misticismo e o ateísmo; a oscilação ocorre também no tempo a ser vivido, ora de modo infantil, ora de forma mais adulta; evolução da sexualidade (auto- erotismo, bem como, a vida genital adulta); atitudes rebeldes, tende a se rebelar para não cair no convencional, age desta forma para não se igualar; variação na sua conduta, ora hostil, ora amoroso; necessidade de se separar dos pais, pois não se considera mais criança, portanto cortam por si mesmo o cordão umbilical; e, oscilação normal do humor. Sendo assim, uma maior compreensão da adolescência favorece, também o entendimento do estudante de Medicina que se constitui dessa faixa etária, a qual o adolescente tem que fazer sua escolha e, talvez para curar a si próprio procura uma maneira indireta de fazê-lo, através da escolha pela sua futura profissão.
Mesmo vivendo várias mortes concretas, como perda de amigos, colegas em acidentes, overdoses, assassinatos, doenças, o adolescente conclui por si só que a morte ocorreu por algum erro, imperícia ou qualquer outro motivo, mas que o herói que ele é, nunca morrerá. (KÓVACS, 1994).
Os adultos racionalmente reconhecem que não é assim, mas emocionalmente atribui de culpa em relação à morte do outro, muitas vezes associada à falta de cuidados e sentimentos exacerbados no processo de luto, sua explicação para a morte fica mais clara do que para o adolescente, devido `a sua experiência de vida.
HOFFMANN (1993) afirma que o primeiro contato que o estudante de medicina tem com a morte é na aula de anatomia, o que nem sempre é muito fácil de lidar, mas de qualquer forma esta não tem condições de demonstrar algum sentimento, pois isto acontece com um cadáver reduzido a pedaços, o que mais tarde torna-se para o médico algo para sentir-se vitorioso, pois assim consegue manter mais uma vez o controle e o domínio e assim continua nesta fase, questões pessoais e emocionais que desencadeiam-se devido ao fato de presenciarem a dissecação de cadáveres nestas aulas.
SIMON (1994), em sua pesquisa com estudantes quintanistas de Medicina, notou que estes são formados/ instruídos apenas a se preocuparem com a doença (patologia) para ampliar seus conhecimentos ao elaborar o diagnóstico e a terapêutica, ao invés de mobilizarem-se ao paciente, ou seja, o doente em questão, ou mesmo pelas intervenções que o autor fazia nos encontros.
Segundo BENOLIEL (1972, apud KÓVACS 1992), a função da enfermeira é de assistir o paciente, promover sua recuperação e ajudá-lo a fazer o que não tem condições. É fundamental a relação paciente-enfermeira, pois geralmente é a enfermeira que está mais próxima do paciente, cuidando até de sua higiene pessoal, o que faz com que melhor o conheça. Buscam nelas conforto, afeto, carinho, amizade e atenção, especialmente no momento da morte. A enfermeira é quem também está próxima dos familiares, é ela quem cuida dos sentimentos, angústias e dúvidas de parentes de quem falece. Subordinada direta dos médicos executa tarefas cruciais delegadas pelos mesmos. A enfermeira é quem as coloca em prática.
Para LUCA (1997) a Psicologia enquanto ciência e profissão vem contribuindo muito para a melhora da qualidade dos serviços em saúde.
KÓVACS (1992) afirma que o psicólogo está tendo um papel muito importante quanto ao problema da morte. Este profissional está sendo chamado para trabalhar em hospitais, clínicas com pacientes portadores de doenças graves e até suicidas.


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Créditos:psicologiananet.com.br
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