Efeitos psicológicos do alcool

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Efeitos psicológicos do alcool

Mensagem por Admin em Qua Fev 26, 2014 12:46 pm

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De acordo com Kapczinski, Quevedo e Isquierdo (2004) o sistema nervoso central (SNC) apresenta uma determinada região caracterizada por uma circuitaria denominada de recompensa.  Essa região abrange as áreas corticais e algumas vias mesolímbicas. Incluem partes da área tegmentar ventral que se comunica por neurônios dopaminérgicos aos núcleos acumbens e costumam intermediar as emoções reconhecidas como gratificantes. Segundo Fortes (1975) o tecido nervoso é o mais atingido pela ação destrutiva proveniente do álcool, devido a uma grande afinidade entre ambos. As pessoas que bebem por um tempo prolongado, podem vir a sofrer uma atrofia cerebral e consequentemente encolhimento de regiões importantes do sistema nervoso central, aspecto este que incide em dificuldades de memória.
     Na reportagem da revista Galileu (fevereiro) de 2005 encontra-se a notificação dos principais aspectos do uso abusivo do álcool e suas repercussões psicológicas. Esta matéria chama a atenção para um sintoma da chamada bebedeira como o apagão, que é muito comum. Como o álcool interfere diretamente no sistema nervoso central tende a apagar definitivamente muitas informações. “Quem diz que não faz idéia de como chegou em casa depois do bar normalmente está dizendo a verdade”. Diferindo de um efeito fisiológico que não tem a ver com mecanismo psicológico de negação. Segundo Frances e Franklin (1996) o álcool se apresenta como um depressor do sistema nervoso central que, em quantidades pequenas, desinibe a atividade cortical superior, produzindo excitação clínica. Isto sugere que com o consumo do álcool ocorre uma diminuição dos reflexos osteotendinosos, principalmente do patelar e aquiliano, muito observado em casos crônicos.
     Pessoas que tomam qualquer tipo de medicação não devem misturar bebidas, pois o álcool no organismo reage de forma prejudicial, o que pode resultar em doenças e até levar a morte. Os efeitos do álcool são potencializados por medicamentos que deprimem o sistema nervoso central, como os antidepressivos, analgésicos e remédios para doenças como diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. Com relação aos antibióticos, ao contrário do que se diz, seu efeito não é cortado pelo álcool. O problema é que alguns desses medicamentos bloqueiam a capacidade do fígado de degradar o álcool e, além disso, causa irritação no estômago, por isso a pessoa fica mais suscetível a vomitar, se beber (revista Galileu, fevereiro 2005).
De acordo Kapzinski, Quevedo e Izquierdo (2004) as regiões corticais recebem terminações axonais dopaminérgicas, sendo que o córtex pré-frontal e cingulado anterior, o hipocambo e a amígdala possuem papéis na memória e aprendizagem. Sendo que essas regiões têm projeções glutamatérgicas sendo densas para o nucleus acumbens e sinapses, nos mesmos neurônios que recebem aferentes dopaminérgicos da área tegmentar ventral. As conexões entre essas estruturas fornecem um substrato anatômico pelo qual as informações aprendidas podem ser integradas, dando respostas adaptativas comportamentais aos estímulos ambientais. De acordo com Kapzinski, Quevedo e Izquierdo (2004), os estímulos primeiramente neutros por exemplo, um copo, ligado ao estímulo reforçador álcool sendo um meio de
condicionamento, exercem propriedades de incentivo nessas regiões; sendo assim, nos casos de dependência alcoólica desencadeiam o desejo pela bebida favorecendo o comportamento de busca.
A sensibilidade do organismo em relação a administração de repetidas drogas acaba ativando a função dopaminérgica no sistema mesolímbico e representa um dos mecanismos de neuroadaptação que ocorre na dependência alcoólica (Kapzinski, Quevedo e Izquierdo, 2004). Os estados de abstinência costumam produzir uma depressão dos níveis de dopamina, sendo afetados os nucleus acumbens.
Dentro deste contexto define-se o álcool como uma droga, pois a pessoa acaba ficando dependente, esta droga atua nas vias dopaminérgicas do sistema de recompensa cerebral. Seu mecanismo de ação compreende: os psicoestimulantes, como o álcool eleva o nível de dopamina extracelular pela inibição da recaptação de dopamina pelos transportadores dopaminérgicos, também promovem um transporte reverso da dopamina (Kapzinski, Quevedo & Izquierdo, 2004).
     Um dos principais locais para a ação do álcool é na modulação dos receptores GABA, além de sistemas glutamatérgicos e opióides, com projeções dopaminérgicos. Estudos recentes sugerem uma complexa interação entre os sistemas serotoninérgicos e o reforço do etanol (Kapzinski, Quevedo e Izquierdo, 2004).
Depois da ingestão de bebidas alcoólicas, a absorção se realiza rapidamente e a alcoolemia atinge, em pouco tempo, níveis suficientes para que o paciente apresente os sintomas e sinais de intoxicação aguda. Acredita-se que ao fim de duas a seis horas, a taxa de impregnação alcoólica do sistema nervoso central seja muito próximo da encontrada no sangue. Contribui muito para isto o neurotropismo do álcool e a copiosa irrigação sangüínea do sistema nervoso central (Fortes, 1975).


Agradeço a todos, até mais  Very Happy  Very Happy 
Créditos:psicologiananet.com.br
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